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Entendendo de Frete

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Boa parte das dúvidas pertinentes para as pessoas que estão começando com importações e exportações são a respeito dos procedimentos de frete.

Aparecem questões como : Quem vai buscar a carga ? Quanto vai custar ? É melhor aéreo ou marítimo ? Como faço para embarcar ? Negocio direto com a companhia aérea ? Posso usar serviços de courrier, como FEDEX, UPS ou mesmo correio ?

1) A primeira definição a fazer é…

Até onde o exportador é responsável pela entrega da mercadoria ? Em que momento a responsabilidade passa para o importador ?

Começam a aparecer nas faturas proforma siglas como "FOB", "EX-WORKS", "CIF", "C+F"… Estas siglas são uma padronização destes "momentos de responsabilidade" e estão definidas segundo uma norma técnica internacional chamada INCOTERMS 2000.

Veja no nosso menu ao lado as tabelas de incoterms.

Se tanto a sua empresa quanto o seu parceiro de negócios tiverem o conhecimento exato do significado destes termos, as condições de entrega da mercadoria ficam bem determinadas. Voces vão estar "falando a mesma língua".

2) A partir do entendimento dos Incoterms, vamos supor que sua empresa vai fazer uma cotação e lhe são oferecidas as seguintes condições por uma empresa situada em New Jersey:

Valor da Mercadoria Ex-works - 10.000 dólares.

Valor da Mercadoria FCA - no Aeroporto JFK Nova Iorque – 12000 dólares.

Valor da Mercadoria CPT no Aeroporto de Confins/Belo Horizonte – 15.000 dólares.

Ora, neste caso a empresa exportadora está dizendo que, se voce quiser buscar a mercadoria na fábrica dele a carga custa apenas 10.000 dólares. Se quiser complicar um pouco para a exportadora, ela pode entregar a companhia no aeroporto, já desembaraçada para a exportação. Isto vai custar a sua empresa mais 2000 dólares. E por um adicional de 5000 dólares, ele pode despachar a carga para o aeroporto no Brasil. Mas fica por sua conta o desembaraço.

A primeira vista pode até ser interessante pagar os 15000 dólares até Confins e deixar boa parte da obrigação e do risco de entregar a carga com o exportador.

Mas, vamos supor que a mercadoria é apenas uma caixinha de 10 kgs. Pagar 5000 dólares para buscar uma "caixinha" e depois enviá-la ao Brasil seria um preço absurdamente alto.

E, suponha que o embarque transcorra com problemas. A carga é etiquetada incorretamente pelo exportador (ou seu agente) e em vez de Confins vá parar em outro aeroporto ? Tudo bem, a responsabilidade é do exportador ( e do agente/companhia aérea contratada por ele), mas este pessoal vai ser bom de serviço (e ter interesse ) para resolver o problema aqui no Brasil ? E se uma linha de produção inteira estiver "parada" esperando aquela peçinha de 10 kgs que custa apenas 10.000 dólares ?

Na verdade o importador tem meios de fazer cotações de frete também. A Atlas participa de redes de agentes de carga capazes de buscar a sua mercadoria em boa parte do mundo, a preços normalmente competitivos e com um serviço muito bom tanto na ponta do exterior, quanto na ponta brasileiras – a própria Atlas.

Voce tem a opção de comprar a mercadoria EX-WORKS, CPT, C+F, FCA, DDP, etc. Facilitar sua vida e lhe dar opções são funções dos agentes de carga.

3) E como o agente de carga cobra pelos seus serviços ? É mais barato negociar direto com Armadores/Companhias Aéreas ? E as empresas de courrier ? Como se encaixam nisto ?

O Agente de Cargas ganha dinheiro negociando. E quanto mais carga tem o importador/exportador melhor para o Agente de Cargas.

Voltando ao exemplo da empresa New Jersey, imagine que a Atlas possua um agente na região. Este agente possivelmente tem acordos privilegiados com transportadoras locais e eventualmente pode até ter seus caminhões próprios. Como opera com volumes regulares, o preço que ele tem com transportadoras locais é melhor do que o preço que voce conseguiria com alguma transportadora escolhida ao acaso. Normalmente o agente vai te passar uma tarifa (que corresponde aos seus custos + margem chamada "profit") que fica num meio termo entre o que ele conseguiu e o que voce conseguiria.

No transporte aéreo isto fica muito mais evidente. As boas companhias aéreas são membros da IATA - International Air Transport Association e elas tem um "livro de tarifas" onde consta os preços a serem utilizados no tranporte aéreo entre dois determinados aeroportos. Esta tarifa "global" é a forma com a qual as companhias aéreas evitam concorrência predatória de preços.

Entre dois aeroportos, a tarifa é estratificada.

Algo como (valores hipotéticos):

Até 50 kgs, 10 usd por kg, com limite mínimo de 50 dólares.

De 51 a 100 kgs – 8 usd por kg

De 101 a 200 kgs – 5 usd por kg

De 201 a 500 kgs – 3 usd por kg

Acima de 501 kgs – 2 usd por kg.

Supondo que voce tenha aquela carga de New Jersey. Se voce vai diretamente na companhia aérea, a tarifa vai ser 10 usd por kg. Logo voce vai pagar 100 usd pelo seu frete, tendo ainda que adicionar algumas outras taxas como "adicional de combustível", "adicional de segurança", etc.

Aí voce resolve cotar a Atlas e ela te passa um valor de 4 usd/kg = 40 usd. Pelo frete aéreo. Como pode acontecer isto ?

A Atlas pode ter, por exemplo, dois clientes regulares para a rota Nova Iorque-Confins. Um destes clientes embarca regularmente 300 kgs (cliente 1). O outro embarca 350 kgs (cliente 2).

Sozinhos, cada um pagaria, se fossem no balcão da companhia aérea, 3 usd por kg.

Mas juntando a carga das duas empresas, num procedimento chamado de "Consolidação de Carga" , o agente de carga obtem a melhor tarifa – 2 usd/kg.

Se o agente cobrar do cliente 1, uma tarifa de 2,7 usd/kg. O agente vai apurar 810 usd.

Com o cliente 2, a condição negociada foi de 2,3 usd/kg. O agente vai apurar 805 usd.

E com voce, embarcando 10 kgs a 4 usd/kg, o agente vai apurar mais 40 usd.

O custo para o agente foi de (300kgs + 350 kgs + 10 kgs ) x 2 usd/kg = 1320 usd.

A receita do agente vai ser de 810 + 805 + 40 = 1655 usd.

O agente ganha nesta operação 335 usd. E todos os seus clientes saem satisfeitos com descontos obtidos.

Estas operações de "Consolidação de Cargas" na modalidade aérea são realizadas com a emissão de dois tipos de documentos – MAWB (Master Airway Bill) – conhecimento de carga emitido pela companhia aérea em nome do agente de cargas, e que registra o peso/cubagem de toda a carga embarcada pelo agente.

E HAWB (House Airway Bill) . São os "filhotes" de conhecimentos. Faturas de frete emitidas pelo agente e individualizadas por cliente. Neste caso, 3 clientes.

No processo de "Desconsolidação", o agente local recolhe o dinheiro dos diversos clientes (se o frete não tiver sido pago ainda –frete collect) e remete o dinheiro ao agente no exterior para que este faça o pagamento à companhia aérea.

Notar que em processos de consolidação/desconsolidação há diversas pequenas taxas extras, em razão de diversos serviços realizados – inclusive esta remessa de dinheiro.

O modal marítimo também é passível de operações de consolidação / desconsolidação, ainda que menos comum. Há inclusive a possibilidade de diversas empresas dividirem os custos de um container.

 

4) E os serviços de Courrier ?

Não deixam de ser agentes de carga, mas com uma especialização muito grande em documentos. A maior parte das empresas que trabalha com estes serviços presta um serviço muito padronizado que pode penalizar clientes de bons volumes de carga com tarifas altas em determinadas ocasiões. Mas há situações em que estas empresas de courrier tem muita competitividade.

Aqui no Brasil o maior problema é que os serviços de courrier estão concentrados em Campinas. Para cargas que se enquadram nos regimes de tributação simplificada, normalmente a liberação transcorre adequadamente, ainda que os prazos de liberação possam ser mais dilatados.

Por outro lado, a descaraterização do regime de tributação simplificada acaba obrigando os importadores a despachar as cargas em Campinas em processos normalmente longos e sem a preparação "pré-embarque" adequada (por exemplo – empresas sem Radar, ou mercadoria sem Licenciamento de Importação) e já em processo de perdimento pela Receita Federal.

5) E o que é melhor ? Aéreo ou Marítimo ?

A empresa dispõe de tempo ? É muita carga – um container pequeno transporta 12 toneladas ? O que é mais perto de sua empresa – o porto ou aeroporto (influência de frete interno)? A carga pode ser embarcada por via aérea ( algumas cargas são proibidas ou tem quantidade restringida) ? A carga vai aguentar o transporte marítimo ?

É muita coisa para se pensar… mas em termos de custos, normalmente as cargas aéreas deixam de ser interessantes a partir de uns 500 kgs. Mas isto depende também de inúmeros fatores – inclusive se os navios estão cheios ou vazios.

 

 

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